A Inteligência Artificial ameaça o trabalho de Relações Públicas e Assessoria de Imprensa? Um estudo recente da Muck Rack, plataforma norte-americana especializada em comunicação, aponta justamente na direção oposta. A análise indica que grande parte das informações utilizadas por sistemas de IA para gerar respostas provém de mídia espontânea e de fontes consideradas confiáveis, como reportagens, artigos especializados, estudos acadêmicos e análises setoriais.
A constatação reforça uma mudança importante no mercado. Se, até pouco tempo, uma reportagem em um veículo relevante era valorizada principalmente pelo alcance junto ao público, hoje ela também pode influenciar as respostas oferecidas por ferramentas como ChatGPT, Claude e Gemini, utilizadas diariamente por milhões de pessoas para pesquisar empresas, especialistas, produtos, serviços e tendências.
Esse movimento tem ganhado um nome próprio: Generative Engine Optimization (GEO). O conceito se refere à otimização da presença de marcas em ambientes de Inteligência Artificial generativa. Na prática, organizações e porta-vozes passam a disputar não apenas espaço nos mecanismos tradicionais de busca, mas também relevância nas recomendações feitas por assistentes conversacionais.
Para aumentar as chances de serem encontradas nesses ambientes, é preciso investir em presença recorrente em veículos de credibilidade, consistência na abordagem de temas estratégicos, produção de conteúdo qualificado, fortalecimento da reputação digital e atualização constante das informações disponíveis sobre negócios e lideranças.
Vale uma ponderação importante: nem toda exposição na mídia produz o mesmo impacto. Veículos de grande alcance e publicações setoriais reconhecidas tendem a exercer maior influência na construção de autoridade de marcas, executivos e especialistas. Isso não significa, porém, que inserções em mídias regionais ou de menor porte sejam irrelevantes.
Quando possuem linha editorial consistente e audiência qualificada, elas contribuem para ampliar a presença digital, reforçar a recorrência das menções e consolidar um histórico de credibilidade ao longo do tempo. Em um ambiente cada vez mais orientado por dados e recomendações algorítmicas, a autoridade tende a ser construída de forma cumulativa: grandes conquistas geram visibilidade imediata, enquanto aparições frequentes em veículos alinhados ao posicionamento da marca ajudam a sustentar sua relevância.
Nesse cenário, a assessoria de imprensa assume uma dimensão ainda mais estratégica. Se antes sua principal missão era aproximar fontes e jornalistas, agora ela também contribui para que empresas sejam reconhecidas como referências confiáveis pelos modelos de IA. O trabalho continua baseado no relacionamento com a mídia, na construção de narrativas, na identificação de oportunidades de exposição e no posicionamento de executivos como autoridades em seus segmentos.
Os resultados tendem a ser mais amplos do que no passado. Uma reportagem publicada hoje pode ampliar a visibilidade de uma marca, consolidar autoridade, favorecer sua presença digital e até influenciar respostas produzidas por plataformas inteligentes. Em outras palavras, o potencial de retorno de uma estratégia consistente de comunicação tornou-se ainda maior.
Outro aspecto observado pela Muck Rack é a valorização de conteúdos recentes por parte dessas tecnologias. A tendência reforça uma prática já conhecida pelos profissionais da área: reputação não é construída em ações isoladas. A presença contínua na imprensa, sustentada por pautas relevantes e informações atualizadas, costuma gerar efeitos mais duradouros, tanto para o público quanto para os sistemas que organizam e recomendam conhecimento.
As ferramentas de IA já apoiam equipes de comunicação em tarefas como pesquisa, organização de informações e elaboração de versões preliminares de textos. No entanto, compreender o contexto de uma notícia, desenvolver abordagens personalizadas para jornalistas, administrar crises, identificar oportunidades e transformar estratégias de negócios em histórias capazes de despertar interesse permanece sendo uma atividade essencialmente humana.
A tecnologia pode acelerar processos e ampliar capacidades, mas confiança, credibilidade e reputação continuam sendo ativos construídos por pessoas. Na nova dinâmica da comunicação, a assessoria de imprensa deixa de ser apenas uma ferramenta de exposição na mídia para consolidar seu papel como gestora de influência, autoridade e relevância em um ambiente no qual humanos e inteligências artificiais passam a consumir, interpretar e recomendar informações lado a lado.
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